Salkantay Trek

    Sejam bem vindos!!  Antes de qualquer coisa meu nome é Carolina (Carol) e depois de muito pensar e muita vontade de escrever estou aqui para contar e divulgar um pouco da minha experiência na minha viagem ao Peru.

    Foi do nada que essa viagem surgiu, descobri que ia tirar férias, contei pro meu namorado e pronto, surgiu o assunto: ‘Vamos pro peru, Machu Picchu” e começamos a olhar passagens e lugares por lá. Confesso que foi uma dessas loucuras que a gente faz na vida, viajar pro Peru do nada e sem dinheiro! Demos nosso jeito, parcelamos em várias vezes e na cara e na coragem nós fomos. Nós descobrimos que dava pra chegar por duas formas: Trilha ou trem e acabamos decidindo ir pela trilha e minha dica para você é: Não pensa, vai pela trilha, o lugar é surreal e você não vê nada disso indo de trem, é completamente diferente do que tem em Cusco e Aguas Calientes (cidade no pé de Machu Picchu).

    Para chegar a Machu Picchu por trilha você pode encontrar algumas opções, pesquisamos a trilha Inca que é a mais famosa mas bem mais cara e trilha Salkantay, que nós optamos.

    Fechamos o contrato pela agência cusco peru viajes na época pagamos $260,00 cada e foi uma das mais baratas que achamos. Eles são ótimos e servem café da manhã, almoço, lanche e jantar e é muito bem servido (Tirando o café do primeiro dia e o almoço e a janta do último). Uma menina no grupo era vegetariana e eles faziam uma comida diferenciada para ela. Você pode escolher por fazer a trilha de 4 ou 5 dias, decidimos pela trilha de 5 dias e começamos a aguardar ansiosamente o dia chegar. Nós fomos em agosto/2016 e o tempo nessa época é maravilhoso, todos os dias ficaram lindos, se você puder escolher, viaje nessa época por que o sol é um diferencial nessa trilha. Arrumamos nossa mala e partimos para Cusco, o aconselhável é que chegue em Cusco alguns dias antes para fazer aclimatação. Beber muito chá de coca e até mastigar a folha para ajudar. O ar do Peru é mais rarefeito por conta da altitude, o que dificulta na hora da trilha.

    No dia anterior a trilha tivemos uma pequena reunião na agência com o guia para entender o caminho que iríamos percorrer durante os próximos dias, as dicas e combinar o horário que eles iriam nos buscar no hotel. 04:30h a van estava a nossa porta, pois eles buscam todos do grupo. Nosso grupo tinha 1 pessoa do Brasil, 3 da Inglaterra, 2 da Bélgica, 2 da Áustria, 2 da Alemanha, 4 da Holanda (era uma família, com 2 crianças de 12 e 9 anos!).

 Dia 1:

    Buscamos todos do grupo e seguimos. No caminho paramos em para tomar um café da manhã maravilhoso, beber chá de coca e dar continuidade. Fomos de van até Mollepata e saltamos para dar início a trilha. Eles disponibilizam uma mula para cada pessoa levar até 5kg e o resto vai com você. Então carregue somente o essencial. A agência também tem bastões de caminhada para alugar (+- $16,00 o par), alugamos um par para cada um e o bastão deu uma ajuda importantíssima, vale super a pena.  Deixamos as mochilas com a mula e revezamos uma para ficar com a gente com lanchinhos, água, câmera e nossos documentos. A trilha do primeiro dia é subida no início e como o ar é rarefeito você sente um pouco mas depois fica mais plana. Paramos logo a frente para tirar a imensa quantidade de casacos. Não vá cheio de roupa, por mais que de manhã esteja frio durante o dia com a caminhada começa a ficar muito quente e quando for tirando vai pesar para carregar.

     Fomos andando e começaram a surgir as montanhas nevadas (Humantay e Salkantay), a paisagem do início ao fim é encantadora. Chegamos no camping, e olha QUE CAMPING!! É de tirar o fôlego as cabaninhas de palha com o visual da montanha atrás. Pegamos uma barraca, nossas mochilas foram entregues e eles dão um colchonete fininho e muito útil para dormimos e é bem necessário alugar saco de dormir, esse dia é bem frio e o saco é apropriado pro frio de lá, descansamos um pouco para irmos almoçar e seguir para a segunda parte do dia.

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    A segunda parte do dia é opcional, o lago Humantay, e por favor nem que você vá bem devagar, vá! O lugar é incrível, apaixonante, a foto é real, não é aquilo que você vê cheio de efeitos e chega lá e se decepciona. Começamos a subir para o lago, não levamos nada além da câmera, a subida é bem íngreme e é um bom tempo subindo, é só subida na verdade. Qualquer subidinha no ar rarefeito parece uma subidona então nós fomos bem devagar mas ligados para não nos perder do grupo. Paramos algumas vezes para recuperar o ar. Quando chegamos lá quase caímos para trás, como a natureza é maravilhosa. Ficamos um tempo lá tirando fotos e apreciando, teve gente do nosso grupo que mergulhou no lago (que coragem!) e voltamos para nosso camping, lanchamos descansamos fomos jantar e dormir. Esse dia não tem como tomar banho, mas é tão frio que não é de todo ruim. É o dia mais frio de todos e a manhã do segundo é absurda, se preparem.

    No primeiro dia você tem a opção de informar para o guia que deseja ir à cavalo no dia seguinte. Minha ideia era ir a pé mas acabamos decidindo ir à cavalo e eu achei maravilhoso, pagamos 100 soles cada, então se você tiver essa ideia na cabeça leve o dinheiro. Vale a pena, você ainda vai andar 4 dias pela frente, a subida é muito difícil e bem extensa além de ser experiência nova, diferente. No primeiro dia fizemos um total de 13km, contando com uma parte da van e sem contar com o lago.

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Dia 2:

    Acordamos bem cedo com o guia chamando na porta da barraca já levando o chá de coca!  O ideal é deixar tudo arrumado no dia anterior sempre para no dia seguinte estar tudo pronto. Essa manhã foi o dia que mais senti frio na minha vida, quase congelei, não tínhamos como saber a temperatura exata mas devia estar mais ou menos -5ºC  por que quando saímos de Cusco estava marcando 3º graus e estava tranquilo.

    Esperamos a mulher arrumar os cavalos para irmos e quem foi andando saiu um pouco na frente. Cada um fica com um cavalo e eles sabem o caminho certo, então não precisa controlar nada. A mulher ensina como fazer (se você nunca andou à cavalo, da pra ir também) e ela vai nos acompanhando o trajeto todo a pé (sim, a pé na mesma velocidade!) para caso aconteça alguma coisa. Foi maravilhosa a sensação de andar à cavalo com a paisagem ao fundo, cada vez nos aproximando mais da montanha Salkantay, parece filme! E é chão, muita subida e íngreme, ao todo 9km. Ultrapassamos o pessoal do grupo que ia a pé, passamos por laguinhos que estavam congelados, começamos a ver gelo nas plantas. E chegamos no lugar mais alto da trilha, na montanha Salkantay,  4.650 metros. O lugar é lindo demais, inexplicável!

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    Nos despedimos dos cavalos, ficamos esperando o restante do grupo e apreciando o lugar maravilhoso em que estávamos. Salkantay é um lugar muito místico, cheio de histórias e crenças. Ouvimos a história, fizemos um pedido e começamos a descer.

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    A paisagem continua incrível, fomos devagar apreciando cada detalhe. Paramos para almoçar num lugar com grama e um riacho maravilhoso. Depois de almoçar deitamos um pouco na grama para descansar e voltar a caminhar.  No segundo dia a diferença de paisagem começa a surgir, no lugar da montanha e da neve vão surgindo as árvores, bem floresta mesmo. Nessa parte começa a esquentar. (É bom levar repelente, lá tem muito mosquito!).

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Fomos caminhando, praticamente só descida, 13km até chegar ao segundo camping. No segundo dia foram 22km, 9 horas. (No nosso caso, 9km à cavalo e 13km andando).

    Lá tem a possibilidade de tomar banho quente por 10 soles ou pagar 1 sol e tomar banho gelado. O que é loucura por que a água é bem gelada e ainda estava um pouco frio, o João tomou e eu não sei como sobreviveu, eu tomei meu banho quentinho e fomos lanchar.

    Nesse dia meu pé começou a dar uma bolha bem pequena, então para aguentar os próximos dias sem machucar levamos fita micropore e sempre antes de colocar a bota passava por todos os dedos. Ah, é importante levar chinelo para andar nos camping de noite e deixar o pé relaxar um pouco.

Dia 3:

Mesmo esquema, chá de coca ‘na cama’ e preparados para mais um dia. Seguimos andando, o caminho é longo, andamos desde a hora que a gente acordou até a hora do almoço, composto por descidas e subidas até chegar a uma van para nos levar o resto do caminho até Santa Teresa.

    Passamos por umas barraquinhas que ficam durante a trilha que vendia chocolate, gatorade, água, refrigerante, biscoitos e etc. O preço é mais alto mas acaba sendo necessário, então separe um dinheiro para isso. Abastecemos a mochila de água e gatorade. Em uma das barraquinhas vendia banana e maracujá também, deliciosos, recomendo!

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    Quando eu levantei da van pensei em como eu iria caminhar mais 2 dias, minha perna estava doendo demais. Esse dia foi pesado. Almoçamos, tomei um dorflex e fomos descansar. Nesse dia quem faz a trilha de 4 dias segue andando depois do almoço para a Hidrelétrica e nós continuamos por lá. Quem fica por lá esse dia tem a opção de tomar banho nas piscinas termais de Colcamayo, foram10 soles por pessoa e acho que foi isso que me recuperou, vale super a pena depois de tanto andar, é renovador. Foi lá que tomamos banho também. Na hora da janta fizemos algumas brincadeiras, nos divertimos bastante e fomos dormir. Terceiro dia, 16km andando.

Dia 4:

    Esse é o dia da aventura, se você está disposto a encarar a maior tirolesa da América do Sul e a mais alta da América Latina, Cola de Mono. No 4º e penúltimo dia você tem a opção de ir na tirolesa. Se você optar por ela só precisa caminhar mesmo depois do almoço, caso não queria ir, você segue andando pela manhã também.

Nós decidimos ir na tirolesa, pagamos $30 cada. Uma van foi buscar a gente no camping e eles nos deixaram no local da primeira tirolesa, são 6 ao todo, interligando 3 montanhas. Colocamos todos os acessórios e tudo pareceu bem cuidado e bem seguro. Em 2 delas você pode ir na posição que você quiser, então teve posição de ‘superman’ e de cabeça pra baixo. Também tem uma ponte de madeira que você precisa passar. Foi divertido demais.  Depois de pura adrenalina van nos deixa na Hidrelétrica, local de encontro com o pessoal que não foi na tirolesa. Com o grupo todo junto novamente, almoçamos e fomos logo voltar para a nossa caminhada.

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    Chegamos em Aguas Calientes bem cansados já no final da tarde e pegamos nossas mochilas (que foram de trem) e fomos para o hotel. (SIM! Hotel, wifi, civilização novamente, mas com tudo que passou nem fez falta, real). Descansamos, tomamos banho e fomos jantar no restaurante que estava incluído. Na janta o guia deu o ticket de volta do trem para a estação Poroy para retornar a Cusco. Depois da janta quem quisesse podia passear na cidade ou voltar pro Hotel. Passeamos um pouco e fomos dormir. Quarto dia, 19km andando. (No nosso caso não andamos isso tudo devido a tirolesa.)

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Dia 5:

    O dia do tão esperado destino. Esse dia você pode subir para Machu Picchu de ônibus ou a pé. A minha dica mais sincera nesse post todo é : VÁ DE ÔNIBUS. Bom, o primeiro ônibus sai de Aguas Calientes 5:30h e é por ordem de chegada. A pé você tem que acordar 3h da manhã para andar até o portão e esperar numa fila, por que só abre as 5h. Fomos a pé por que pensamos que iríamos chegar lá antes da galera toda e pegar Machu Picchu vazia, mas isso não aconteceu, quando chegamos o pessoal que foi de ônibus já estava lá e tinha muita gente. A subida para Machu Picchu é TODA de escada, são muitos degraus, acho que mais ou menos 1800 degraus (pelo o que o guia falou) e eles são altos, demoramos umas 1:10h subindo escada e cansa demaaais.

    Acordamos umas 3h da manhã e fomos andando para o portão. Esse dia como não tem café eles dão uns lanchinhos com suco, bolinho, biscoito, pão para nós levarmos. Ficamos esperando até as 5h, quando o portão abriu e começamos nossa subida. Muitos degraus, muito cansaço.

    Chegamos na entrada e tinha muita gente já. Assim que entramos, mais escada. Machu Picchu é escada para todos os lados que você olha e quando eu cai na real meu olho encheu d’agua. Eu estava muito cansada por ter subido aquela escadaria toda, tava pensando como eu iria ter forças para conhecer lá dentro mas diante daquela paisagem me recuperei.

Nos encontramos com o guia lá dentro e o restante do grupo. Nosso guia fez um tour explicando um pouco da história do local, é encantador pensar em como eles construíram aquilo. (É legal você ver um documentário contando a história de lá, é bem interessante). Depois nos despedimos e cada um ficou por conta própria pra conhecer e curtir uma das sete maravilhas do mundo. Lá dentro é lindo, aproveite cada parte, cada detalhe.

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    Nesse dia você tem a opção de subir a montanha Huayna Picchu, que é a montanha que você consegue ver Machu Picchu lá do alto. Falam que a subida é pesada e você tem que reservar com muita antecedência por que eles limitam o número de pessoas por dia. Assim que reservar a trilha, informe que você quer visitar essa montanha. Nós não fomos pois já tinha acabado e sinceramente não iria conseguir ir.

    Descemos de volta a Aguas Calientes de escada mesmo, pra descer todo santo ajuda e ficamos pensando como conseguimos subir aquilo tudo. Paramos para almoçar e dar uma volta na cidade até dar o horário do nosso trem, que era às 18h. Assim que você reserva seu passeio eles vão te dar opções de horário e você pode escolher o horário de volta do trem. Pegamos o trem junto com parte do grupo e saltamos na estação Poroy, aonde tinha um micro-ônibus esperando para nos levar até Cusco. Quando chegamos em Cusco eles nos deixaram na praça principal. Chegamos umas 2h da manhã e tivemos que ir andando até o hotel. É bom reservar algo por ali por perto.

    Chegamos muito cansados e muito agradecidos por esses dias que passamos. Superamos o cansaço, nos desafiamos, levamos nosso corpo a um limite que ele não está acostumado. No momento você só pensa em descansar e depois bate uma sensação tão gostosa de objetivo vencido, de saber o quanto você andou e os lugares lindos que você conheceu. Façam essa trilha, ela é maravilhosa demais, renovadora, mágica. Vou te esperar me contar aqui em baixo como foi sua experiência. Se tiver alguma dúvida me pergunte, vou ajudar com o maior carinho. =)

  Como esse post ficou bem grande depois vou criar um com as dicas! Do que levar e das experiências que tive e poderiam ter sido melhores em alguns pontos.

Beijos ! =)

9 comentários sobre “Salkantay Trek

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